
Há lembranças que o tempo não apaga; ao contrário, vivem dentro de mim com o carinho da nostalgia. Para quem cruzou os portões da Escola Gabriel Monteiro da Silva entre os anos de 1972 e 1978, a memória não é apenas um registro do passado, mas um refúgio acolhedor onde a infância ainda corre solta e o coração encontra paz.
A jornada diária começava no ritmo da disciplina e do respeito. Em filas organizadas antes de entrar na sala de aula, vozes infantis se uniam para cantar o Hino Nacional sob a brisa da manhã, em um ritual que desenhava o amor à pátria na pureza de cada criança. Nas salas, o silêncio respeitoso se fazia presente ao sinal do mestre; e quando o diretor cruzava a porta, o gesto instintivo de todos se colocarem em pé não vinha do medo, mas de uma reverência genuína à autoridade e ao saber. Era a época em que os professores não apenas lecionavam, mas moldavam o caráter com dedicação e afeição.
Mas era no pátio que o mundo ganhava cores vibrantes. Ali, os pés descalços ou de sapatos gastos corriam sem cansaço, entre risos, brincadeiras de roda e conversas puras. E como esquecer a hora do sinal para o intervalo? O ar se enchia com o aroma inconfundível da merenda servida quentinha, preparada com um capricho que alimentava o corpo e a alma. Cada prato trazia o sabor do afeto e da simplicidade.
Para completar a magia daquele tempo, havia época em que a família podia comprar os livros novos. Abrir cada folha, sentir aquele cheiro único de papel recém-impresso e encapar os cadernos com cuidado era o prelúdio de descobertas infinitas.
Idos anos dos anos 70 que não voltam mais, deixados no calendário, mas eternizados na alma de quem teve o privilégio de crescer e aprender na Escola Gabriel. Fica a saudade profunda de um tempo em que a vida era simples, o respeito era a regra e a infância parecia eterna.
Tão feliz eu era entre os 7 e 13 anos ali vividos. A vida seguiu e hoje aos 61 anos creio que de tudo que vivi, nada me arrependi.


